segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Síndrome de Poliana

Acho que todo mundo conhece um pouco, ou ao menos já ouviu falar das estórias de Poliana. Poliana é uma menina que enxerga tudo "cor de rosa", sem maldades, sempre acreditando no melhor das pessoas e da vida, sendo incapaz de fazer algum mal a alguém. É uma obra universal, escrita por Eleanor H. Porter, e muitas gerações a têm lido com emoção. A figura humana da menina Poliana sensibiliza pelo otimismo, amor, bondade e pureza de sentimentos.

A sua forma de ver a vida levou os especialistas a identificarem a “Síndrome de Poliana”, que nada mais é do que uma fuga da realidade, na medida em que o mundo não é tão "cor-de-rosa" assim, como Poliana vê, em suas façanhas. Algumas pessoas assim enxergam o mundo, e no seu emaranhado de situações e de emoções, agem, ingenuamente e inconseqüentemente. Criam uma realidade distorcida e vivem a sua brincadeira, arrastando consigo um batalhão de admiradores, também ingênuos, ou interesseiros aproveitadores.

Não temos que ser pessimistas, ou impuros, mas caminhar com os pés no chão, de forma a construirmos uma vida feliz, uma sociedade mais justa e um mundo melhor. Não significa que não possamos nos divertir, rir dos fatos presentes ou passados, e vislumbrar um futuro de louros. Mas, nos deslumbrarmos ou nos embriagarmos com pequenos fatos inexpressivos e acharmos que isso é a essência da vida...

A vida de Poliana, quando excede a estória e é transportada para a nossa realidade, nos estimula a colocarmos máscaras e a assumirmos falsos papéis. A enganarmos a nós mesmos e a iludirmos os outros. A não mostrarmos o quão belos somos e a perdermos oportunidades únicas. A trocarmos a vida pelo conto. A deixarmos as pessoas e buscarmos personagens..., sempre felizes..., vítimas felizes da ilusão.

Uma fantasia que certamente despenhar-se-á, e o ruir será dolorido, ou pode-se viver na fantasia, na alienação. Pelo acúmulo de frustrações e pelo distanciamento da realidade, será um melindre. Pelo tempo perdido, pela ausência de relações verdadeiras, e pelo inconveniente de não amadurecer, será ressentido. Pela necessidade de se reinventar, reconstruir e renascer, será um desafio, um grande e resiliente desafio.

5 comentários:

Adilene Adratt disse...

Oi Armando,
Li muito Poliana e Poliana Moça quando era criança. Acho que a Síndrome de Poliana não nos remete a um mundo falso, um mundo eu diria até que meio autista de tantas pessoas. A vida nem sempre é fácil, sejamos ricos ou pobres, brancos ou pretos, o que muda é a forma com que encaramos as adversidades. E nisso acho que ser algumas vezes Poliana é até positivo, pois nos traz a esperança de que, ainda nas contrariedades da vida, viver é bom. Máscaras e falsidades vai muito além disso, e normalmente faz parte da vida das pessoas que não querem mostrar quem são de verdade...
Pelo menos é o que eu penso...
Beijos!

Armando disse...

Oi Adilene, é isso mesmo, algumas pessoas se escondem e por algum motivo não mostram o que são ou para que vieram. Penso que sonhar e fantasiar faz parte das esquinas da vida, mas o que se aprende e se constrói é a vida real, e esta não é "cor de rosa", exige inspiração e transpiração.
Um grande beijo e que alegria te ver por aqui...

Sabrina disse...

Boa noite..estava pesquisando sobre a Sindrome de Poliana e achei seu Blog..e gostei do que li..muito interessante. E concordo na sua opinião sobre Poliana, e nas pessoas que são assim..Eu me sinto assim, meio Poliana..Mas estou virando esta página em minha vida. Gostei muito..Vou ler sempre, os textos do blog.Abraços
Sabrina Brum/São Luiz Gonzaga/RS

Armando disse...

Olá Sabrina, seja bem vinda e espero que goste das reflexões! Continue participando, pois é o diálogo que nos instiga a crescer...
Beijo!

poliana soares disse...

Li a respeito sobre a sindrome de Poliana,e acho que depende do ponto de vista de cada um.Eu por exemplo ja fui assim meio poliana e o mais engraçadoo e ter o mesmo nome e se indentificar com a personagem.